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Uma rua sem nenhuma vaga para estacionar, porém era uma rua sem tráfego ligando duas avenidas super-movimentadas.
Estas duas avenidas tinham o trânsito totalmente engarrafado.
Nesta rua havia ainda dois edifícios com salas comerciais.
Eu estava na calçada, fumando e processando meus pensamentos.
Passa por mim um garoto e uma garota, aparentemente entre 14 e 16 anos:
- Eu já fui no SP Market, no Iguatemi, no Paulista, Sta.Cruz, Center 3, Jardim Sul... vários...
- O Ibirapuera...
- É. O Ibirapuera também.
Podia sentir o cheiro de chiclete de tutti-fruti indo embora no ar assim que as vozes ficavam menos audíveis. Ao fundo, o trânsito ainda parado. Pessoas em pé dentro dos ônibus lotados.
Sem que eu mudasse a posição dos meus olhos-câmaras, vem em minha direção, sentido contrário ao dos garotos, um senhorzinho, baixinho, cabelos ralinhos totalmente grisalhos. Usando um chapéu, uma calça com o cinto no meio da barriga, caminhava lentamente e com uma atenção ao caminhar que chamava a atenção. Nas mãos segurava um grande envelope, aparentemente com exames médicos. Se dirigiu a mim com uma pergunta simples, porém com uma construção intrigante, minimalista, retrô, tão estranha que precisei separar o raciocínio das emoções conflitantes num pequeno instante, parecendo que levara 1 minuto:
- Onde fica a clínica? – disse com uma voz humilde e cansada. Olhinhos azuis, vividos, energia que não pode ser gasta com futilidades.
Depois de superar o estranho estado, respondi: 
- Qual é o número do endereço, senhor? – e para adiantar a solução do problema – É o número cem?
- É, é sim.
- Então fica naquele edifício ali.
- Obrigado, filho...







